ABC e SBPC pedem proteção contra interferência estrangeira nas eleições de 2026

ABC e SBPC pedem proteção contra interferência estrangeira nas eleições de 2026

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram profunda preocupação com a possibilidade de interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro de 2026. O temor das entidades centra-se em ações que possam comprometer a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores, com foco especial em pressões provenientes dos Estados Unidos.

Soberania nacional e o risco de interferência externa

O alerta das instituições científicas ocorre em um cenário de tensão geopolítica. Relatórios elaborados pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) no final de agosto indicaram o risco de influência externa nas eleições deste ano, apontando para uma tendência de escalada na pressão internacional sobre o Brasil. A preocupação é compartilhada pelo Instituto Vladimir Herzog, que formalizou o envio de uma carta às Nações Unidas solicitando atenção global à defesa da autodeterminação brasileira.

Em discurso na Assembleia Geral da ONU, realizado em 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a gravidade do tema. Ele criticou a ingerência em processos eleitorais e as investidas neocoloniais, classificando a divisão do mundo em zonas de influência como um gesto anacrônico que ameaça a estabilidade política de nações na América Latina e no Caribe.

Defesa da integridade do processo eleitoral

As entidades científicas enfatizam que a escolha dos governantes pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Segundo a nota oficial assinada por Helena Bonciani Nader, presidente da ABC, e Francilene Procópio Garcia, presidente da SBPC, nenhum Estado, governo ou poder econômico deve buscar condicionar a decisão do eleitor, seja por pressões políticas ou pela manipulação do ambiente informacional.

O documento defende que a proteção da democracia exige vigilância contra novas formas de interferência digital. As instituições conclamam a sociedade civil, os meios de comunicação e as plataformas digitais a promoverem um ambiente público baseado em informações confiáveis e no respeito ao Estado Democrático de Direito, garantindo que o resultado das urnas seja soberano.

Mobilização acadêmica e o futuro democrático

A comunidade científica reafirma que a defesa da democracia é indissociável da liberdade de pensamento e da integridade da informação. A nota destaca que a soberania política, científica e digital são dimensões interdependentes da capacidade de uma nação decidir seu próprio futuro sem manipulações externas.

Com o pleito marcado para o dia 4 de outubro, quando os brasileiros escolherão representantes para cargos legislativos e executivos, as entidades reforçam a necessidade de reconhecimento internacional do resultado das urnas. O posicionamento busca assegurar que a vontade da população seja respeitada, independentemente de quem seja o vencedor, conforme detalhado em comunicado oficial da Agência Brasil.

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